Existe vida em Marte? Como os experimentos da missão Viking de 1976, da NASA, deixaram cientistas confusos ao mostrar sinais de metabolismo sem detectar orgânicos

A missão Viking chegou ao centro de um dos maiores mistérios da exploração espacial, quando tentou responder à pergunta, existe vida em Marte de forma direta.

Os experimentos trouxeram resultados contraditórios, que até hoje alimentam debates entre pesquisadores e novas missões ao Planeta Vermelho.

As informações usadas nesta reportagem foram reunidas a partir do material fornecido pela fonte citada adiante, conforme explicação do canal Ciência Todo Dia.

O que a missão Viking foi fazer em Marte

As sondas Viking 1 e Viking 2 foram lançadas em 1975, cada uma com um orbitador e um módulo de pouso, com a meta de fotografar Marte em alta resolução, analisar a atmosfera e procurar sinais de vida microbiana.

Os landers pesavam mais de meia tonelada e levavam uma bateria nuclear para alimentar instrumentos, projetados para operar por longos períodos na superfície marciana.

Como os experimentos buscaram ingredientes para a vida

Entre os instrumentos, o destaque foi o GC-MS, um cromatógrafo de gás acoplado a um espectrômetro de massa, capaz de aquecer amostras de solo, separar os gases liberados e analisar suas moléculas em busca de compostos orgânicos.

Além disso, a Viking levou o experimento Liberação Rotulada, que oferecia ao solo nutrientes marcados com carbono-14 para rastrear reações químicas que pudessem indicar atividade metabólica.

Por que os resultados confundiram os cientistas

O que ninguém previa aconteceu, o GC-MS não encontrou moléculas orgânicas, mas a Liberação Rotulada indicou sinais que lembravam metabolismo, gerando duas hipóteses principais ao longo das décadas.

Uma explicação sugere que radicais superóxidos formados pela radiação ultravioleta destruíam compostos orgânicos e, ao reagirem, imitavam sinais de metabolismo, outra aponta que perclorato no solo poderia ter destruído orgânicos durante o aquecimento das amostras pelo GC-MS.

Legado, revisões e missões seguintes

Com o tempo, novas descobertas mudaram o contexto dos dados originais, incluindo a ausência de um campo magnético protector, a intensa exposição à radiação ultravioleta e a identificação de percloratos, que mostram que o solo marciano é quimicamente agressivo para compostos orgânicos.

A missão Phoenix, em 2008, reforçou essa visão, e pesquisadores continuam revisitanto os dados sempre que surgem informações novas, porque a pergunta existe vida em Marte se provou mais complexa do que parecia em 1976.

O canal Ciência Todo Dia, com 7,55 milhões de inscritos, explica que essas contradições mantêm viva a investigação e inspiram novos instrumentos e teorias sobre o Sistema Solar, sem uma resposta definitiva até o momento.